Embora nem sempre sejam alcançados tais
valores, mesmo um raio menos potente ainda tem energia suficiente
para matar, ferir, incendiar, quebrar estruturas, derrubar árvores
e abrir buracos ou valas no chão.
Ao redor da Terra caem cerca de 100 raios por
segundo. No Brasil, nas regiões Sudeste e Sul, a incidência
é de 25 milhões de raios anualmente, sendo a maior
quantidade, no período de dezembro a março, que corresponde
à época das chuvas de verão.
Embora não haja estatísticas disponíveis
para o Brasil, centenas de pessoas a cada ano são atingidas
por raios. Muitas morrem, outras sofrem traumatismos e queimaduras.
A maioria das vítimas são atingidas ao ar livre, embaixo
de árvores ou na água. No Brasil, há inúmeros
relatos de vítimas de raios, atingidas enquanto jogavam futebol
ou estavam na praia durante uma tempestade de verão.
Num destes casos (janeiro de 1994) dez pessoas
foram feridas por um raio enquanto se abrigavam sob duas barracas
de praia em Ipanema. Todas sofreram queimaduras de primeiro grau
e foram jogadas para longe; uma barraca foi despedaçada e
sua dona ficou com as roupas rasgadas. As vítimas tiveram
que ser carregadas para o Hospital Miguel Couto, onde se recuperaram
e foram liberadas.
O que aconteceu, provavelmente, foi que os mastros
das barracas agiram como pára-raios e não havendo
aterramento, a explosão de energia espalhou-se ao redor,
atingindo as vítimas.
Outro caso que merece atenção aconteceu durante um
treino do Palmeiras (setembro de 1983), no Parque Antártica.
Chovia muito e, de repente, um raio caiu no meio de um grupo de
jogadores. Um deles desmaiou, outros três foram derrubados
no chão e o técnico da equipe foi atirado a alguns
metros de distância. Eventualmente todos se recuperaram.
Caso mais triste sucedeu em janeiro de 1997 com
dois adolescentes, que rezavam no alto do Morro de Gericinó
(Realengo) durante uma tempestade. O lugar, descampado, é
conhecido como Pedra do Avião. Um raio atingiu os rapazes;
um deles foi jogado para cima e rolou pedra abaixo, escapando vivo,
com ligeiras escoriações.
O outro, no entanto, teve suas roupas e sua Bíblia
reduzidos a frangalhos e morreu, provavelmente de parada cardíaca,
já que não havia queimaduras ou traumatismos.
Além de vítimas, os raios destroem
bens materiais correspondentes a prejuízos de muitos milhões
de reais todos os anos com incêndios florestais ou em lavouras;
incêndios ou destruição de prédios ou
pontes; danos graves em veículos; interrupções
da energia elétrica pela destruição de torres
e linhas de abastecimento, etc.
AS LENDAS
A sabedoria popular, nem sempre tão sábia,
criou uma série de noções falsas que podem
levar à tragédia:
Lenda: Se não está chovendo
não caem raios.
Verdade: Os raios podem chegar ao solo
a até 15 km de distância do local da chuva.
Lenda: Sapatos com sola de borracha
ou os pneus do automóvel evitam que uma pessoa seja atingida
por um raio.
Verdade: Solas de borracha ou pneus
não protegem contra os raios. No entanto, a carroceria metálica
do carro dá uma boa proteção a quem está
em seu interior; sem tocar em partes metálicas. Mesmo que
um raio atinja o carro é sempre mais seguro dentro do que
fora dele.
Lenda: As pessoas ficam carregadas de
eletricidade quando são atingidas por um raio e não
devem ser tocadas.
Verdade: As vítimas de raios
não "dão choque" e precisam de urgente socorro
médico, especialmente reanimação cardio-respiratória.
Lenda: Um raio nunca cai duas vezes
no mesmo lugar.
Verdade: Não importa qual seja
o local ele pode ser atingido repetidas vezes, durante uma tempestade.
Isto acontece até com pessoas. O guarda florestal norte-americano
Roy Sullivan foi atingido sete vezes durante sua vida. Sofreu pequenas
queimaduras, contusões, tombos e roupas rasgadas. Hoje, aposentado,
Roy mora numa casa reboque com um pára-raios em cada quina.
Como nem sempre se pode contar com a proteção
de uma pára-raios é conveniente saber que, durante
uma tempestade:
É
extremamente perigoso ficar em espaços abertos, praias, botes,
topo de elevações e embaixo de árvores;
É
também perigoso estar próximo a torres e redes de
alta tensão, cercas metálicas, varais de roupas, num
carro com a porta ou a janela aberta, sobre um cavalo ou um trator,
dentro de casa frente a uma janela aberta;
O refúgio
mais seguro é uma construção sólida
protegida com pára-raios, grandes prédios sem pára-raios,
automóveis com janelas fechadas, cavernas, um grupo de árvores
(bosque);
Dentro
de casa: afaste-se de objetos metálicos, janelas, portas
abertas; não fale ao telefone, não tome banho, desligue
aparelhos elétricos das tomadas;
Em muitas
ocasiões, durante uma tempestade, uma pessoa pode sentir
que vai ser atingida por um raio, porque a pele começa a
formigar e os pelos do corpo se eriçam. Se isto acontecer,
não deite no chão, apenas se agache, assumindo a posição
de segurança mostrada na ilustração. Se houver
um grupo de pessoas, elas devem se espalhar rapidamente.